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Populações Especiais e a sua Relação com o Exercício

São populações que possuem alguma condicionante em termos de saúde no que refere à prática física. Para além dos cuidados específicos a cada doença/condicionante, há que realizar o questionário PAR-Q antes de qualquer prescrição (de forma a identificar a doença, a identificação do risco de lesão durante o treino e como fonte de informação para tornar mais rigorosa a prescrição física), para além da consulta médica antes do início de qualquer pratica física.

Doenças cardiovasculares

Doença das artérias coronárias (DAC)

É chamada a doença do aparelho circulatório. A DAC é uma doença progressiva, que começa com danos nas paredes dos vasos sanguíneos, iniciando-se assim um processo de remodelassem e aterosclerose, no qual as paredes engrossam, restringindo o fluxo sanguíneo para o coração.

De facto as DAC ocorrem após acumulação de gorduras e outros produtos sanguíneos se acumulam nas camadas internas das artérias (aterosclerose). Face a esta acumulação, dá-se um estreitamento ou em casos mais graves um bloqueamento das artérias coronárias que fornecem o sangue oxigenado ao musculo cardíaco. Neste caso por não receber o oxigénio suficiente deixa de funcionar normalmente.

O principal problema é que e uma doença silenciosa, isto é a pessoa só toma consciência do problema quando tem um ataque cardíaco.

Factores de risco primários (modificáveis):

  • dislipidemia (colesterol)
  • hipertensão
  • tabagismo
  • diabetes mellitus

Factores de risco primários (não modificáveis)

  • idade (homens – 45 anos, mulheres – 55 anos)
  • historia familiar (algum caso familiar de enfarte ou morte súbita antes dos 55 anos, pai ou parente masculino directo, ou 65 anos a mãe)

Factores de risco secundários (modificáveis)

  • obesidade (>20% acima dos valores normais para a idade e/ou género)
  • sedentarismo (actividade física nula)
  • stress

Classificação dos factores de risco

Numero de factores de risco Classificação
Menos de 2 factorese sem sintomas Aparentemente saudável
2 ou mais factores Em risco
Sinais e sintomas de doença metabólica ou cardiorespiratória Em risco


Outras doenças associadas a DAC

Acidente vascular cerebral: um vaso que leva nutrientes e oxigénio ao cérebro rebenta ou fica obstruído por um coagulo ou qualquer outra partícula.

Angina de peito: é uma dor ou desconforto no peito que ocorre quando alguma parte do coração não recebe sangue suficiente.

Enfarte do miocárdio: termo medico para ataque cardíaco, que ocorre quando o fornecimento de sangue a uma parte do próprio musculo cardíaco (o miocárdio) é gravemente reduzido ou interrompido, causando a morte de um segmento desse músculo.

Hipertensão arterial (HTA)

A tensão arterial é a pressão que o sangue exerce sobre as paredes dos vasos sanguíneos. Cada vez que o coração se contrai (sístole), o sangue é expelido para todo o corpo através da artéria aorta, atingindo-se assim a pressão máxima (pressão sistólica ou pressão alta). Em seguida, a pressão dentro das artérias vai descendo à medida que o coração se relaxa. A pressão mínima atingida é chamada pressão diastólica (pressão baixa). Os valores da tensão arterial são expressos em milímetros de mercúrio (mmHg). A tensão arterial varia em resposta às diferentes actividades e emoções.

Quando o esforço para o coração bombear o sangue para todas as partes do corpo aumenta ou os vasos se estreitam a tensão arterial aumenta. Trata-se de hipertensão patológica se em medições repetidas em dias diferentes se verifica uma pressão sistólica de 140 mmHg ou superior e uma pressão diastólica de 90 mmHg ou mais. Valores abaixo de 130/85 mmHg representam valores normais. A hipertensão só é detectável através de medição, dai a necessidade de recorrer à sua verificação regularmente.

Em relação às causas da doença, podemos dizer que 95% dos hipertensos sofre de uma hipertensão primária que não tem uma origem orgânica (um em cada dois destes doentes têm a HTA hereditária). No entanto a obesidade, o consumo elevado de sal, álcool e o stress são também responsáveis pela mesma. Só 5% dos hipertensos sofrem de HTA secundaria como por exemplo doenças renais ou vasculares.

Cuidados a ter: medir regularmente a tensão arterial, respeitar as prescrições medicas, procurar relaxamento e pausas, perder peso (caso seja necessário), limitar o consumo de álcool, praticar exercício físico (aumentar a actividade aeróbia para 30 a 45 minutos por dia), deixar de fumar, comer muita fruta e legumes, assegurar a ingestão de Ca e Mg (DDR) e diminuição de gordura saturada na dieta.

Pode ainda calcular a pressão arterial media através da seguinte fórmula:

Pressão arterial média P. diastólica + 0,33 x (P. sistólica – P. diastólica)

Valores da pressão arterial (organização mundial de saúde

normais < 130 mmHg / < 85 mmHg
Limite dos valores normais 130 a 140 mmHg / 90 a 100 mmHg
HTA nível I 140 a 160 mmHg / 90 a 100 mmHg
HTA nível II 160 a 180 mmHg / 100 a 110 mmHg
HTA nível III > 180 mmHg / < 110 mmHg

Osteoporose

A osteoporose é uma doença óssea metabólica que se caracteriza por uma perda de densidade óssea e por uma micro-arquitectura óssea deteriorada que vai aumentar a fragilidade dos ossos e o risco de fracturas. Esta doença afecta cerca de 500 mil pessoas em Portugal.

Abaixo apresentamos os índices de controlo primário e secundário, de forma a que caso se revejam nalguma destas situações devem recorrer a um médico para um despiste mais rigoroso da doença.

Índice de controlo primário:

idade superior a 65 anos

  • fractura vertebral
  • Historia de fractura osteoporótica
  • fractura de fragilidade com idade superior a 40 anos
  • sindroma de mal-absorção
  • propensão para quedas
  • osteopénia aparente em raio x
  • menopausa precoce com idade inferior a 45 anos

Índice de controlo secundário:

  • artrite reumatóide
  • passado com hipertiroidismo
  • dieta pobre em cálcio
  • fumadores
  • consumo de álcool e/ou cafeína em excesso
  • perda de peso – 10% em relação ao peso registado com 25 anos
  • terapia crónica com heparina

A idade, o sexo, a raça e a carga genética são os maiores determinantes não modificáveis da densidade mineral óssea (dmo). A dmo aumenta durante o crescimento e mantém-se constante ate aos 20 anos. Por altura da menopausa a mulher perde cerca de 2% ao ano durante aproximadamente 5 a 10 anos. No final deste período a taxa de desmineralização diminui. Perde-se cerca de 10% de massa óssea por década ate aos 75 anos, abrandando depois para 3% a redução anual. As perdas no homem não são tão problemáticas como na mulher.

Classificação por graus de densidade mineral óssea (dmo)

Osteopénia Dmo entre 1.0 e 2.5 desvios padrão abaixo do pico de massa óssea
Osteoporose Dmo 2.5 desvios padrão abaixo do pico de massa óssea sem evidência de micro ou macrofractura
Osteoporose severa Dmo 2.5 desvios padrão abaixo do pico de massa óssea com evidencia de micro ou macrofractura

Diabetes Mellitus

A diabetes é uma doença metabólica que resulta na incapacidade de produzir insulina no pâncreas ou da insensibilidade das células a esta hormona.

A insulina é uma hormona anabólica, produzida pelas células Beta, cuja principal acção é exercida sobre o metabolismo dos glúcidos. Actua num receptor celular para facilitar a entrada da glicose na célula, promovendo a hipoglicemia. A insulina favorece assim a utilização da glicose como substrato energético em detrimento de outros.

Este tipo de situação traduz uma incapacidade do organismo de armazenar ou utilizar a glucose, levando-o a decompor gorduras e proteínas numa tentativa de fornecer uma fonte alternativa de energia, tal situação conduz a graves desequilíbrios bioquímicos, sendo que um dos mais importantes é o aumento anormal da glucose na corrente sanguínea.

Tipos de diabetes:

  • tipo I – também chamada insulino-dependentes, é a forma mais grave desta doença e geralmente manifesta-se depois dos 5 anos de idade, mais concretamente entre os 10 e os 16 anos. As células do pâncreas que segregam a insulina são destruídas e como tal a produção de insulina cessa totalmente. Este tipo de diabetes não esta relacionado com hábitos de vida ou de alimentação errados (como acontece no tipo II). O diabético terá de toar injecções de insulina regularmente e durante toda a vida, sem as quais corre o risco de entrar em coma.
  • tipo II – também designada de na insulino-dependente é a mais comum entre a população mais velha (sobretudo depois dos 40 anos de idade). Esta associada a problemas de obesidade e pode ter carácter hereditário. O excesso de gordura, sobretudo abdominal, leva a uma situação de insulinoresistencia. Em resposta, o pâncreas produz uma quantidade acrescida de insulina, provocando uma hiperinsulinémia (excesso de segregação de insulina). Por seu lado esta estimula a síntese de trigliceridos a partir dos ácidos gordos, nos adipocitos (células deposito de gordura). Como consequência o numero de receptores celulares diminui. O organismo entra num ciclo vicioso, aumentando a insulinemia sem diminuir a glicemia (nível de glucose no sangue). Uma dieta equilibrada, uma redução de peso e medicação oral, ajudam a manter este tipo de diabetes sob controlo.
  • diabetes gestacional – refere-se às mulheres que contraem a diabetes durante a gravidez. Este tipo de particular de diabetes é normalmente detectada no 3º trimestre de gestação e, geralmente, desaparece com o parto, mas pode ser sinal de diabetes futura em cerca de ¾ das mulheres.

Sintomas da diabetes tipo I

  • urinar com frequência
  • sede
  • extrema irritação
  • rápida perda de peso
  • fraqueza e fadiga
  • irritabilidade
  • náusea ou vómitos

Os efeitos da doença (tipo I) dependem de:

  • medicação
  • nível de glucose no sangue antes do exercício
  • quantidade de comida ingerida e a hora
  • grau de complicação da doença
  • intensidade, duração e tipo de exercício

A atenção para com os praticantes com este tipo de diabetes deve-se a 2 factores: por um lado, os portadores da doença devem estar sob adequado controlo antes de começar um programa de actividade física, por outro uma insuficiente quantidade de insulina antes do exercício pode comprometer o transporte de glucose para os músculos.

Devem ser consideradas as seguintes situações:

  • considerar a ingestão de alimentos durante a sessão de treino (cada hora de exercício necessita de 15 gramas de carbohidratos até 15-30 gramas de carbohidratos/hora),
  • manter o nível de hidratação
  • se possível colocar uma identificação
  • evitar o exercício à tarde (os níveis de glucose estão geralmente alterados)

Artrose

As articulações estão unidas por meio de bandas fibrosas (os ligamentos). No interior dos ligamentos a cápsula articular produz constantemente quantidades diminutas de um fio (o liquido sinovial) cuja função é manter a lubrificação dessa mesma cápsula.

As extremidades dos ossos estão cobertas por uma substância firme e macia que toma o nome de cartilagem articular.

A artrose (também designada por artrite) é uma doença das junções moveis, caracterizada pela deterioração das margens articulares da cartilagem e neoformaçao óssea junto das margens articulares.

Tipos de artroses mais comuns:

  • osteoartrite – doença articular degenerativa que aparece geralmente como resultado de um desgaste ou perda de cartilagem nas articulações. A cartilagem começa a desaparecer e os ossos começam a raspar entre eles provocando fricção e consequentemente dores intensas. O seu aparecimento depende de vários factores, entre eles a idade ou um esforço exagerado sobre uma ou mais articulações.
  • artrite reumatóide – doença articular a longo prazo cuja causa está, segundo parece, intimamente ligada à autoimunizaçao (o sistema imunitário ataca o tecido da articulação). A membrana sinovial da articulação inflama-se gradualmente e incha, o que leva à inflamação do resto dessa articulação. O exercício físico ajuda no sentido de diminuir a dor, possibilita a recuperação articular através dos alongamentos musculares.
  • espondilite anquilosante (E.A.) - doença inflamatória, dolorosa e bloqueante da coluna vertebral com evolução progressiva, que se torna incapacitante quando deixada evoluir espontaneamente ou tratada sem continuidade. A doença surge desde tenra idade (15-35 anos). Em cada Português com mais de 15 anos há um que sofre de espondilite anquilosante. Como sintomas principais surgem a dor lombar e o bloqueio dos movimentos do tronco (rigidez) que se agravam com o repouso, sendo a madrugada para a dor e o levantar da cama para a rigidez os piores períodos das 24 horas.

O diagnóstico perfeito é estabelecido entre os 3 e os 6 meses contados do início dos sintomas. Em caso de dúvida, pode pedir-se a cintigrafia óssea com o Tecnésio 99 - o que virá mostrar um excesso de sinal nas articulações sacro-ilíacas, definindo a intensidade inflamatória. É um teste muito sensível e pouco específico para a doença mas que, integrado nos sintomas, nos dá o diagnóstico. Isto porque, embora sendo a espondilite anquilosante uma doença das articulações e das inserções da coluna, tem sempre início nas sacro-ilíacas, só depois progredindo em direcção ao tórax ou pescoço, conforme a gravidade.

Se um filho herdar de um pai espondilítico a característica genética B27+ isso significa um risco. Se nos familiares de sangue houver casos de qualquer espondilartropatia, esse risco é um pouco maior. Mesmo assim, a maior probabilidade é de não sofrer a doença.

A E.A. é uma doença de evolução muito variável e quando é diagnosticada em início não é possível prever se o caso vai ser grave ou atenuado. A doença pode anquilosar apenas as sacro-ilíacas, o que não causa prejuízo funcional significativo, pode anquilosar o coluna lombar, pode rigidificar o tórax prejudicando a ventilação pulmonar, pode atingir toda a coluna, unindo o crânio à bacia por um só segmento ósseo, pode comprometer as ancas de modo a exigir cirurgia com substituição por prótese total. Assim, na dúvida, há que tratar toda a nova espondilite como se ela fosse tomar uma evolução grave. Ao fim de dois anos é possível definir a evolução e aligeirar as medidas nos casos de evolução atenuada.

Nos casos graves a doença pode atingir as articulações periféricas, os olhos, a inserção da aorta no coração, os pulmões ou associar-se a manifestações das outras espondilartropatias.

Na medida em que ainda não foi descoberta a cura é incurável. É uma doença para ser vencida todos os dias. Só assim se impede ou atrasa o desaparecimento das articulações com a consequente fusão e o alongamento ósseo. É uma doença que não permite descuidos, tratamentos irregulares ou lista de espera quando surjam complicações.

Em que consiste o tratamento ?

Consiste em desfazer todos os dias as aderências mecânicas que a inflamação tece todas as noites. Para isso o espondilítico tem de ser rigorosamente fiel a um programa semanal de exercícios diários. É mais um cuidado de higiene. Um cuidado que passa a ser o principal. Quando as dores não permitem estes exercícios ou a actividade diária corrente, é necessário tomar um anti-inflamatórios não esteróide (AINE), geralmente à noite. Associa-se um protector gástrico quando necessário.

Além disto, uma vez por semana, o doente de E.A. deve fazer exercícios em classe espondilítica orientada por um monitor. É importante que quem sofre de espondilite anquilosante saiba que há em Portugal uma associação destes doentes com 18 anos actividade (ANEA).

DEZ RAZÕES PARA UM ESPONDILÍTICO INCAPACITAR

  1. Atraso diagnóstico.
  2. Informação insuficiente do ou mal traduzida para linguagem corrente.
  3. Não inclusão de um familiar no plano das acções de prevenção secundaria.
  4. Seguimento clínico sem definição de parâmetros de referência ou consultas periódicas de
    tempo curto.
  5. Insuficiência persuasiva na motivação do doente para a fidelidade ao plano de tratamento e
    prevenção secundária
  6. Recusa do médico em partilhar do seu doente seja com quem for incluído as estruturas do
    movimento associativo.
  7. Não compreensão da interacção da informação com os défices mecânicos acrescentados pela
    evolução da doença.
  8. Não planificação prévia de esquemas de emergência para a eventualidade de complicações e agudizações.
  9. Exposição a riscos traumáticos evitáveis. Condução automóvel sem encosto de cabeça
    adequado à sua situação.
  10. Permeabilidade aos conselhos dos ignorantes na matéria.

Asma

É um problema respiratório com carácter reversível e que se caracteriza pela dificuldade em expulsar o ar dos pulmões (expiração) e por uma brônquio-constriçao. A causa relacionada com espasmos musculares nos músculos à volta dos brônquios, com inchaço das células produtores de muco nos brônquios e com a excessiva segregação de muco.

O individuo com asma apresenta geralmente uma respiração com dificuldade (dispneia) e /ou uma respiração fraca acompanhada por “assobio”.

Os “gatilhos” que podem despoletar uma crise de asma estão relacionados com:

  • reacções alérgicas
  • exercício
  • aspirina
  • poluentes
  • emoções

Asma induzida por exercício

Normalmente ocorre nos primeiros 5 a 15 minutos ou a 4 a 6 minutos após o exercício, estando associada à inspiração de grandes volumes de ar frio. Cerca de 80% dos asmáticos sente isso comparado com 3-4% dos asmáticos. Esta relacionada com:

  • tipo de exercício
  • intervalo de tempo após o ultimo treino
  • intervalo de tempo entre a ultima medicação
  • temperatura e humidade do ar inspirado
  • os ataques estão associados com exercícios de longa duração e extenuantes (ex.: a corrida causa mais ataques que o ciclismo e a natação).
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